Maior chefe e “Casa dos Artistas” do tráfico: saiba os detalhes de grupo com líderes presos em AL

Publicado em 24/04/2026, às 10h39
Reprodução/Ric/Record
Reprodução/Ric/Record

por Pedro Acioli*

Publicado em 24/04/2026, às 10h39

A Operação Rajada resultou na prisão de cinco líderes de uma organização criminosa que atua no tráfico de drogas entre Alagoas e Paraná, com foco em Maceió e Marechal Deodoro. O grupo é liderado por Werik de Souza Leal, conhecido como 'Rajada', e é acusado de movimentar mais de R$ 30 milhões em atividades ilícitas.

As investigações revelaram que a quadrilha operava 'tabacarias' no Paraná, como a 'Casa dos Artistas', onde usuários consumiam drogas em um ambiente controlado. Além disso, o grupo é suspeito de envolvimento em assassinatos, incluindo um duplo homicídio de um rival e seu filho em março deste ano.

As autoridades descobriram que os líderes da organização transferiram suas penas para Maceió, permitindo que continuassem a coordenar o tráfico à distância. A polícia também desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro que sustentava o estilo de vida luxuoso dos chefes, com operações recentes resultando em apreensões significativas de dinheiro e drogas.

Resumo gerado por IA

O grupo criminoso alvo da Operação Rajada, deflagrada na manhã desta sexta-feira (24) por policiais de Alagoas e do Paraná, seria comandado por Werik de Souza Leal, conhecido como “Rajada”, apelido que deu nome à ação policial. Cinco suspeitos apontados como líderes da organização foram presos em Maceió e Marechal Deodoro.

Segundo informações da Ric TV, afiliada da RECORD em Curitiba, a quadrilha também seria responsável por diversas “tabacarias” utilizadas para o consumo de drogas no estado do Paraná. Entre os estabelecimentos investigados, o mais conhecido é a “Casa dos Artistas”, apontada como um dos pontos de atuação do grupo criminoso.

Quem é Rajada?

As investigações apontam que “Rajada” é considerado um criminoso de alta periculosidade e domina toda parte baixa do bairro do Parolin, em Curitiba. A região é conhecida como “Cidade de Deus”, e é onde o tráfico é mais intenso e lucrativo. 

Rajada foi preso em 2021 e é suspeito de ser o mandante de diversos crimes e assassinatos de criminosos rivais, mesmo de dentro da cadeia. Uma das vítimas seria um conhecido traficante da região que tinha o apelido de “Baiano”. 

Em um interrogatório que a Ric TV teve acesso, Werik de Souza negou ter participação na morte e chegou a afirmar que agora estava focado na família. 

“Estou aqui preso, eu não mandei matar ninguém. Não mandei nada para ninguém. Porque eu estou desvirtuado de lá. Tenho duas casas de aluguel. Tenho barracão lá. Estou pensando na mãe, nas minhas duas filhas, na minha esposa. Eu já empenhei minha vida e estou preso.”

“Casa dos Artistas” do tráfico 

Na região do Parolin, existem locais conhecidos como “tabacarias da drogas”, que são pontos de venda, como bar e uma tabacaria, com sofás para que os usuários comprem os entorpecentes e consumam lá. 

A principal tabacaria é chamada de “Casa dos Artistas”, onde existe um grande sofá vermelho e é conhecida porque as pessoas passam o dia no local utilizando diversos tipos de drogas. O “empreendimento” já foi alvo de diversas operações da Polícia Civil do Paraná, mas sempre volta a funcionar. Confira: 

Segundo as investigações, as biqueiras (também conhecidas como "bocas de fumo" ou "bocadas") da região chegam a lucrar cerca de R$ 1 milhão por semana. De acordo com a Polícia Civil, o grupo movimentou mais de R$ 30 milhões de junho de 2025 até abril deste ano. 

Outras violências contra grupos rivais

O grupo de Rajada é suspeito de envolvimento nos assassinatos de pai e filho em Almirante Tamandaré, cidade da Região Metropolitana de Curitiba. O duplo homicídio foi cometido em 7 de março deste ano e teve grande repercussão no estado do sul.

As vítimas foram identificadas como Nixon dos Santos Benites, de 36 anos, que seria líder de uma organização criminosa rival, e Ryan da Rocha Alfredo Benites, de 17. Pai e filho estavam no estacionamento de um supermercado quando foram surpreendidos pelos disparos de arma de fogo. 

A quadrilha também é suspeita de um tiroteio à luz do dia dentro da favela no início de 2025, investigações apontam que criminosos de um grupo rival tentaram retomar o domínio de um ponto de drogas, conhecido como “Beco da Margarida”. Os rivais não conseguiram retomar o território e acabaram mortos semanas depois do tiroteio. 

Líderes se transferiram para Maceió

A equipe de investigadores também descobriu que a estrutura criminosa era chefiada à distância por um indivíduo e seu braço direito. Ambos alegaram ter recebido supostas ameaças de morte e conseguiram transferir o cumprimento de suas penas para a capital alagoana. 

“O afastamento geográfico serviu como um escudo para que coordenassem o narcotráfico remotamente e em liberdade, delegando o gerenciamento tático diário no bairro Parolin a outro integrante da organização”, destaca o delegado da Polícia Civil do Paraná, Ricardo Casanova.

Não foi informado pela Polícia Civil se os dois integrantes que transferiram o cumprimento das penas para Maceió ainda se encontravam presos no complexo prisional ou se estavam soltos. 

Vida de luxo dos "chefes"

A investigação constatou ainda que os lucros do narcotráfico eram "escoados" para o Nordeste a fim de sustentar um padrão de vida luxuoso das lideranças, as quais não possuíam nenhuma fonte de renda lícita. 

Para dissimular a origem ilícita dos milhões arrecadados, a organização operava um esquema de lavagem de dinheiro que incluía familiares, esposas e empresas de fachada utilizadas para ocultar patrimônio.

 “O capital era inserido no sistema financeiro por meio de depósitos em espécie fracionados feitos em caixas eletrônicos e lotéricas. Após a compensação financeira, os valores eram transferidos a inúmeras contas de passagem, que recebiam aportes milionários e eram esvaziadas rapidamente para dificultar o rastreamento”, complementa o delegado.

A atuação da organização criminosa foi comprovada em ações policiais recentes. Em desdobramentos operacionais, a polícia estourou uma “casa cofre” no bairro Sítio Cercado, na capital paranaense, apreendendo R$ 493.879 em espécie, máquinas de contagem de cédulas e porções de crack, cocaína e maconha.

*Estagiário sob supervisão/ Com Ric TV - RECORD

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