O que se sabe sobre operação que investiga advogados em Maceió e duas cidades de AL

Publicado em 19/08/2026, às 15h07
Divulgação / Polícia Civil
Divulgação / Polícia Civil

Por Gabriel Amorim

Uma operação da Polícia Civil de Alagoas colocou como alvo, nesta quarta-feira (19), advogados suspeitos de utilizar documentos falsificados para ajuizar ações judiciais em nome de pessoas que não haviam autorizado os processos.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Maceió, Arapiraca e União dos Palmares.

Os nomes dos advogados, no entanto, não foram divulgados e nem foi solicitada, até então, a suspensão da atividade, que pode acontecer caso as autoridades julguem necessário após a extração dos materiais apreendidos.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos investigados. O espaço segue aberto.

O que motivou a operação

A investigação iniciou após o Tribunal de Justiça de Alagoas identificar ações judiciais ingressadas pelos próprios advogados com supostos documentos falsos. O Judiciário, então, comunicou o caso à Polícia Civil.

A Polícia Civil entendeu, e assim também o Poder Judiciário, que autorizou as buscas domiciliares, que eles [os advogados alvos da operação] haviam falsificado documentos", disse o delegado José Carlos.

Segundo as investigações, os advogados teriam falsificado ou usado informações incompatíveis com a realidade para indicar que essas pessoas moravam em Alagoas, com até mesmo comprovantes com endereços inexistentes ou que pertencem a terceiros que não possuem relação com as causas.

Qual a ideia do grupo de advogados?

Para a delegada Maria Eduarda, a estratégia dos suspeitos era fixar em Alagoas a competência para que as ações fossem julgadas aqui e induzir o Judiciário ao erro.

Com o intuito de induzir o Tribunal de Justiça ao erro, para decidir com base em fatos e pessoas que não existiam ou que não eram condizentes com a realidade.

Não está esclarecido, ainda, o que os investigados ganhariam com isso.

O que a Polícia Civil conseguiu com os mandados?

As buscas domiciliares apreenderam celulares, notebooks, HDs e outros materiais que devem ajudar a polícia a entender a razão dos advogados por trás da fraude. De acordo com os delegados, os mandados tiveram o acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A polícia quer entender, por exemplo, se houve vantagem financeira e até mesmo o recebimento de valores de processos nas contas dos próprios advogados. Não está descartada a participação de outras pessoas nem de terceiros de outros estados.

Por quais crimes podem responder?

Até aqui, a Polícia Civil investiga crimes como falsificação de documento público, falsidade ideológica, uso de documento falso, fraude processual e associação criminosa.

Como as investigações seguem, a polícia não descarta até eventual organização criminosa entre eles.

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