Polícia

Operação Loki: aprovações em concursos por meio de fraude custavam R$ 50 mil

Redação TNH1 | 21/10/21 - 17h30 - Atualizado em 21/10/21 - 19h20
Bruno Soriano

Em entrevista coletiva, na tarde desta quinta-feira, 21, na sede da Delegacia Geral da Polícia Civil, em Jacarecica, o delegado-geral Carlos Reis deu detalhes da Operação Loki, que desarticulou, na manhã desta quinta-feira, um grupo suspeito de fraudar concursos públicos em pelo menos quatro estados. De acordo com o delegado Carlos Reis, a aprovação em um concurso por meio de fraude chegava a custar R$ 50 mil. 

"Os criminosos se inscreviam nos concursos apenas para 'retirar' as provas logo no início para que professores do lado de fora fizessem as correções e informassem as respostas por ponto eletrônico ou mensagem de texto aos candidatos", explicou Reis, acresentando que a prova subtraída era substituída por uma prova antiga. Ainda segundo o delegado-geral, não há indícios de participação de alguém da banca examinadora, no caso do concurso da PM de Alagoas. 

Outro aspecto que chamou a atenção da polícia foi o uso de equipamentos de alta tecnologia para fraudar os concursos, a exemplo de um ponto eletrônico minúsculo, imperceptível até para detector de metais, segundo a polícia. Veja o vídeo.

Já de acordo com o delegado Cayo Rodrigues, a investigação também focou na possibilidade de os criminosos terem agido em outros dois concursos em Alagoas, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. No caso do certame da Polícia Civil, cinco suspeitos chegaram a ser presos.

Também participaram da coletiva o delegado Gustavo Xavier, presidente do inquérito, o delegado Lucimério Campos e o delegado José Carlos. Quando perguntados sobre os demais envolvidos, a exemplo de professores que participavam do esquema, os delegados não revelaram nomes, mas confirmaram que alguns dos investigados chegaram a alcançar a condição de servidor público por meio de fraude.

Há também a suspeita, segundo o delegado-geral, de que o grupo também está envolvido em roubo a banco. "Esta ainda é a primeira fase da operação. Temos indícios, inclusive, de participação em assalto a banco. Não podemos fornecer mais detalhes, sob o risco de comprometer a apuração", disse Carlos Reis, acrescentando que dois dos suspeitos foram presos em flagrante, por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, respectivamente, ambos em Pernambuco.

Para o delegado Lucimério Campos, a investigação também serviu para garantir ainda mais lisura aos próximos concursos. "Também serviu para que a banca, que colaborou com a investigação, possa se modernizar no sentido de preservar cada vez mais a lisura dos certames. Ou seja, a investigação também teve o seu caráter pedagógico, resguardando a legitimidade no ingresso em cargo público por meio de concurso”.



A operação - denominada Loki em alusão à figura da mitologia nórdica que representa o "Deus da Trapaça" - cumpriu 12 prisões preventivas e apreendeu 70 aparelhos de telefone celular, 18 notebooks, seis desktops, três pontos eletrônicos, 11 relógios digitais e a quantia de R$ 129 mil.