Interior

Organizador de festa clandestina diz que valor de ingressos foi “presente de aniversário”

Bruno Soriano | 20/08/21 - 16h10 - Atualizado em 20/08/21 - 16h37
Festa na Barra de São Miguel reuniu centenas de pessoas, em desrespeito às normas de prevenção à Covid-19 | Reprodução

A delegada Liana França, responsável pelo inquérito que apura a realização de uma festa clandestina na Barra de São Miguel, Litoral Sul do estado, revelou, nesta sexta-feira (20), que o organizador do evento já prestou esclarecimentos. À Polícia Civil, o empresário negou ter cobrado ingressos para acesso à festa que reuniu, inclusive, cantor de renome nacional. Segundo ele, os participantes doaram os valores espontaneamente, como forma de presentear o aniversariante do dia, o próprio organizador.

“Tomamos hoje as declarações do responsável pela festa realizada por ocasião de seu aniversário. Ele disse que o valor dos ingressos teria sido um ‘presente de aniversário’ dado pelos participantes para contribuir com os custos do evento”, disse a delegada, acrescentando que, agora, o inquérito encontra-se “praticamente concluído”. 

“Resta apenas o depoimento do dono da marina na qual a festa foi realizada. Já iremos remeter o inquérito à Justiça após este procedimento”, afirmou Liana França, sobre o inquérito motivado pelo flagrante de aglomeração e desrespeito à fase amarela do Plano de Distanciamento Social Controlado ainda em vigor em Alagoas.

Em comunicado à imprensa, a Prefeitura da Barra de São Miguel, por sua vez, informou não ter sido comunicada da festa que infringiu as normas de prevenção à Covid-19. Em razão da pandemia, o decreto governamental – renovado por mais sete dias nessa quinta-feira (19) – estabelece que eventos só podem ser realizados para 50 pessoas em ambientes fechados e para até 100 pessoas em ambientes abertos, com o responsável tendo de seguir as já conhecidas medidas sanitárias, a exemplo da aferição da temperatura corporal e da higienização das mãos.

Já de acordo com a assessoria de comunicação do Ministério Público Estadual (MPE), há outros dois procedimentos em aberto, um voltado aos organizadores do evento que desrespeitou o protocolo de prevenção à Covid-19, e outro destinado a averiguar a possibilidade de omissão da Prefeitura – já que a festa teria durado três dias.