Padrasto de Rhavy Abraão é condenado a 50 anos de prisão; mãe pegou pena de 2 anos e 11 meses

Publicado em 20/10/2026, às 07h06
Ascom MPAL
Ascom MPAL

Por Redação

O julgamento do 'Caso Rhavy Abraão' resultou na condenação do padrasto Manoel Pedro Tavares de Souza a 50 anos de prisão por homicídio, enquanto a mãe, Nicole Maria de Lima Braga, recebeu uma pena de quase três anos por omissão, após a morte violenta da criança de dois anos em Maceió.

O corpo de Rhavy foi encontrado com múltiplos hematomas e uma lesão grave na coluna, levando o Ministério Público a argumentar que o crime foi cometido com crueldade e impossibilitou a defesa da vítima, com testemunhas relatando comportamentos agressivos e uso de drogas pelo casal.

Após o veredicto, Manoel e Nicole trocaram acusações durante o julgamento, e a situação atual envolve a aplicação das penas, com Manoel cumprindo sua sentença em regime fechado e Nicole em regime aberto, enquanto o caso continua a gerar repercussão na sociedade.

Resumo gerado por IA

O "Caso Rhavy Abraão" teve seu desfecho no fim da noite dessa segunda-feira (19), com a sentença de mãe e padrasto da criança de dois anos morta há quase um ano e meio no bairro de Garça Torta, em Maceió. O réu Manoel Pedro Tavares de Souza teve a pena por homicídio definida em 50 anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicialmente fechado. Já Nicole Maria de Lima Braga, por omissão, foi condenada a dois anos e 11 meses de detenção, em regime aberto. O júri popular foi no Fórum do Barro Duro. 

Manoel e Nicole foram julgados pela morte do menino Rhavy Abraão Alves de Lima. O corpo dele foi encontrado com sinais de violência no Povoado Boca do Rio, em 13 de maio de 2025.

O julgamento

Durante o júri, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), representado pela promotora Adilza de Freitas, defendeu a condenação do ex-casal por homicídio com três qualificadoras: a motivação do crime, o meio cruel praticado e o uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. No decorrer do julgamento, testemunhas relataram agressões, uso de drogas por Manoel e Nicole, e comportamento estranho da mãe. Uma babá disse ter presenciado lesões no corpo de Rhavy uma semana antes da morte dele.

Nicole e Manoel trocaram acusações em depoimento e aumentaram a tensão no Fórum, antes do veredito. Inicialmente, o padrasto da criança afirmou que era traficante de drogas, mas negou o crime. "Pra ser sincero ao senhor, eu não trabalhava, eu era traficante na área. É vergonhoso pra mim, mas é a verdade e eu não vou negar aqui. [...] Senhor, eu nunca ia ter essa coragem de fazer nada com uma criança, eu sou um homem. Pra mim foi minha ex-companheira, a Nicole, se só estava eu e ela em casa?!".

Questionado sobre o episódio em que Rhavy teve com cola nos olhos, que foi debatido ao longo de outros depoimentos no júri, o réu rebateu e disse que a ex-sogra mentiu. "A Nicole foi trabalhar e os meninos ficaram em casa, estava a mãe dela (a avó) e eu, que estava dormindo, com sono pesado, nem sabia que ela tinha deixado o menino no quarto comigo".

"Na noite antes do crime, começamos a beber por volta das 14h. Por volta das 20h fui dormir porque não aguentava mais. Aí chegou o Williams (testemunha no júri) e eu vendi (droga) e ele foi embora. Ela (Nicole) disse que não ia dormir naquela hora porque ainda ia dar banho nos meninos e arrumar a casa, porque, no outro dia, o mais velho tinha aula", disse o réu.

Depois, Manoel voltou a se defender do crime. "Doutora, eu era traficante, mas essas mãos aqui nunca matariam uma criança, até porque nesse meio não é perdoado. Quero que a Justiça seja feita, mas de verdade, e condene quem realmente fez isso com a criança. Eu, quando era menor, fui acusado de tentativa de homicídio, fui absolvido. Eu andava armado, eu assumo os meus erros", acrescentou Manoel à promotora.

Logo em seguida, foi a vez de Nicole prestar depoimento. No banco dos réus, ela chorou, negou ter matado o próprio filho e contou que o relacionamento com Manoel Pedro havia acabado antes desse caso. "Inclusive, disse que não saberia viver sem a minha pessoa e que se eu não voltasse pra ele, ia se matar. Aí eu saí procurando ele e achei ele em cima de um coqueiro, quando ele desceu, eu vi que estava com um punhal e ele disse que estava pronto pra se matar. Aí levei ele pra minha casa, parecia que estava tudo resolvido entre a gente", relatou Nicole em aspas reproduzidas pela assessoria do MPAL.

Ela contou que, no dia anterior, ela e o marido beberam, que ela fez um drink, eles beberam, comeram, depois ele foi dormir e ela foi arrumar as coisas e fazer papa para as crianças. Nicole manteve a versão de que foi à academia no dia em que Rhavy morreu e depois foi à casa da irmã lavar roupa, quando recebeu o telefonema do marido.

"Dizendo que meu filho não estava respirando, aí sai correndo desesperada, vi uma viatura da polícia, dei a mão e disse que meu marido ligou dizendo que meu filho não estava respirando. Então eles me levaram. E o meu marido não demonstrou nenhum sentimento, só disse: 'Você tem que ser forte porque tem mais dois filhos para criar'. E mandou eu comprar quentinha para os meninos".

Ao ser questionada sobre agressões contra os filhos, Nicole disse que nunca espancou os filhos, mas que já deu umas "palmadas e colocou de castigo". "Quando, por volta das 13h, do nada, ele chegou onde eu estava e disse que eu tinha que ir pra casa. Quando cheguei lá, sou vi os outros meninos e aí perguntei por Rhavy, foi quando ele disse que tinha sido levado para a UPA por minha mãe, porque ele (Rhavy) tinha colado os olhos com cola super Bonder. Aí eu disse: 'Como você deixou acontecer isso, véio, se ele cegar?'. Fiquei desesperada, e o meu filho foi levado para o HGE porque na UPA não resolveu".

O dia da morte

No dia em que a morte do menino foi registrada, Nicole havia abordado uma viatura da Polícia Militar para dizer que o filho precisava de socorro. A Polícia Militar foi até a casa, encontrou a criança sem sinais vitais e chamou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que confirmou o óbito e localizou múltiplos hematomas no corpo do menino.

No dia 14 de maio de 2025, o delegado delegado Emanuel Rodrigues, da Unidade de Atendimento de Local de Crime (UALC), da Polícia Civil de Alagoas, divulgou que o corpo de Rhavy apresentava uma lesão de 12 por 8 centímetros na região da coluna, o que provocou a morte por hemorragia hepática.

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