Um dos suspeitos do linchamento de Cláudio Rafael Landeiro em Copacabana foi preso após se entregar à polícia, enquanto outro suspeito permanece foragido. O crime, que resultou na morte da vítima, foi caracterizado como homicídio triplamente qualificado devido à crueldade e à falta de defesa.
Quatro homens estão envolvidos no caso, sendo que três agrediram Cláudio, que foi atacado com um porrete e socos até desmaiar. O crime foi motivado por uma suspeita infundada de roubo da bicicleta da vítima, que não reagiu durante a agressão.
As investigações da Polícia Civil incluem a apuração da legalidade da atuação dos vigilantes envolvidos, que podem ter exercido funções de forma clandestina. A situação atual envolve a busca pelo suspeito foragido e a análise do processo judicial, que está em segredo de Justiça.
Um dos homens com mochila de entregador suspeitos de participação no linchamento de Cláudio Rafael Landeiro em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, foi preso nesta sexta-feira (21) pela Polícia Civil.
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Felipe Eduardo dos Santos Silva, que teve mandado de prisão temporária expedido, se entregou. A polícia afirmou que ele se entregou porque viu "o cerco se fechar". O órgão não informou se ele confessou participação ou se constituiu defesa. A reportagem não conseguiu identificar se ele possui advogado.
A polícia ainda procura Ailton José da Silva, suspeito de ser o outro entregador que participou da ação. Ele também teve o mandado de prisão expedido.
Nesta quinta-feira (20), já haviam sido presos Davi Santos Machado, suspeito de ser o segurança que participa do linchamento com golpes de porrete, e o também vigia Jorge Luiz Ricardo Dias.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos dois presos e do procurado que é considerado foragido. A polícia não informou se eles possuem defesa constituída, e o processo judicial está em segredo de Justiça, o que impossibilita a consulta ao nome de possíveis advogados. Procurada, a Defensoria Pública não respondeu até a publicação deste texto se está atendendo algum dos suspeitos.
Segundo o delegado titular da 12ª DP, Ângelo Lages, quatro homens participaram do crime, sendo que três chegaram a agredir a vítima.
O caso começou quando um segurança desconfiou de que a bicicleta usada por Cláudio, que pertencia à irmã dele, fosse roubada.
Câmeras de segurança de um prédio da rua Felipe de Oliveira registraram a sequência final do crime, na noite de 11 de agosto. Cláudio havia se sentado na escadaria de um edifício quando os dois entregadores chegaram de bicicleta e o cercaram.
Em seguida, Davi apareceu com um porrete e desferiu ao menos 30 pauladas contra a vítima, que apanhou ainda com socos e pontapés até cair desacordada na calçada, sem em nenhum momento reagir. Os agressores revistaram os bolsos de Cláudio, e um deles fotografou a cena antes de o grupo deixar o local.
Bombeiros socorreram a vítima e a levaram ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde Cláudio morreu. Familiares foram informados de que a causa da morte foi traumatismo craniano com hemorragia interna. Para o delegado, trata-se de "um homicídio triplamente qualificado com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima".
A Polícia Civil apura ainda se os vigilantes envolvidos exerciam a função de forma clandestina. Segundo Lages, a legislação federal autoriza empresas de segurança privada a atuar apenas dentro de estabelecimentos e prédios. Não é permitido o policiamento de vias públicas por seguranças contratados pelo comércio local, como ocorria no caso.
Jorge Luiz Ricardo Dias, 56, se apresentou à polícia por volta das 12h50 de quinta-feira e foi confrontado pela irmã de Cláudio antes de entrar na delegacia.
Segundo o delegado, Jorge teve participação acessória: não chegou a agredir a vítima, mas segurou a bicicleta e o porrete usado nas agressões e teria tentado dissuadir Davi de avançar contra Cláudio. Davi se entregou horas depois na 53ª DP, em Mesquita.
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