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Tudo registrado e divulgado, afetando não apenas a sua pré-campanha à Presidência da República, mas surpreendendo e fragmentando toda a oposição ao governo Lula.
A explicação é do jornalista Oscar Filho:
"Você lembra quando a direita repudiava artista que fazia propaganda política com dinheiro público?
Apareceu essa notícia de que, pra viabilizar um filme sobre Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro recebeu 61 milhões de Daniel Vorcaro, investigado pela PF e pela CVM.
E veio à tona um áudio do Flávio para o banqueiro. Eu separei o que me chamou atenção:
'Eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda. Você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo.' (Flávio Bolsonaro para Vorcaro)
Qual seria a confusão toda? Dá para entender quando você descobre que o áudio foi enviado um dia antes de Vorcaro ser preso.
Tem mais um detalhe: em março deste ano, Flávio Bolsonaro disse publicamente que nunca teve contato com Daniel Vorcaro. Esta semana admitiu que pediu e recebeu o dinheiro.
Não era só uma cobrança de PIX atrasada. Era uma cobrança em cima de alguém cercado por investigação, incerteza jurídica e pressão policial. E mesmo assim o assunto do áudio era o dinheiro do filme.
O bolsonarismo passou anos tratando a Lei Rouanet como símbolo máximo de propaganda ideológica financiada. Inclusive, Flávio respondeu à notícia falando do filme do pai e, outra vez, um trecho me chamou atenção:
Curioso como a Lei Rouanet virou resposta automática, sendo que o cinema tem mecanismos de financiamento próprios.
O problema nunca foi dinheiro influenciando narrativa política. O problema era quem financiava a narrativa. Porque quando o financiamento interessa ao próprio lado, o discurso moral fica bem mais flexível.
Flávio e a família construíram carreira falando contra corrupção, sistema e esquemas. Fazer negócios com tranquilidade ao lado de alguém cercado por 'uma confusão toda' não combina com esse histórico.
Qualquer pessoa comum pensaria algo como: 'Talvez seja melhor se afastar disso até entender o tamanho da bomba.'
Mas a preocupação era outra: o atraso das parcelas do filme sobre o próprio pai, em pleno ambiente eleitoral.
Ou seja, o filme é exatamente o que eles passaram anos condenando: propaganda política financiada por dinheiro de origem questionável.
A guerra cultural nunca foi exatamente contra propaganda política na arte. Talvez fosse só contra a propaganda política dos outros."
Pois é.
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