Um café da manhã tomado entre 7h e 8h aparece associado ao menor risco de morte entre adultos, segundo estudo publicado em 31 de julho na revista científica European Journal of Clinical Nutrition.
A pesquisa analisou dados de 31.044 adultos americanos com 40 anos ou mais, participantes do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos entre 1999 e 2018.
Comer depois do meio-dia quase dobra risco cardiovascular
Ao longo de um acompanhamento médio de quase nove anos, os pesquisadores registraram 7.129 mortes, sendo 2.259 por causas cardiovasculares. Quem fazia a primeira refeição entre 8h e 10h apresentou risco de morte por qualquer causa 10% maior do que quem comia entre 7h e 8h.
Entre as pessoas que só se alimentavam depois do meio-dia, o risco de morte por qualquer causa subiu 29%, e o risco específico de morte por doença cardiovascular chegou a 46% maior.
O horário do jantar também apareceu associado ao risco de morte, embora de forma diferente: comer antes das 19h esteve ligado a um risco 13% maior, enquanto jantar depois da meia-noite chegou a elevar em até 51% o risco de mortes por doenças cardíacas, segundo o mesmo levantamento.
Entre participantes com 50 anos ou mais, os pesquisadores também calcularam o impacto na expectativa de vida: fazer a primeira refeição depois do meio-dia esteve associado a cerca de 2,5 anos a menos de vida, em média, e jantar após a meia-noite, a uma redução próxima de 2,4 anos.
Autores pedem cautela: estudo mostra associação, não causa
Os próprios pesquisadores fazem questão de frisar os limites do estudo. Os horários de alimentação foram estimados a partir de um único questionário de recordação alimentar de 24 horas, aplicado no início da pesquisa, o que pode não refletir com precisão os hábitos reais de cada participante ao longo de quase duas décadas de acompanhamento.
Fatores como cronotipo individual, qualidade do sono, horário de trabalho e nível de atividade física também podem ter influenciado os resultados, mesmo depois dos ajustes estatísticos feitos pela equipe. “Com base apenas nestes resultados, as pessoas não devem fazer alterações extremas aos seus horários alimentares”, afirmou Zumin Shi, um dos autores do estudo.
A explicação biológica levantada pelos pesquisadores é que comer muito tarde pode interferir nos ritmos circadianos do organismo e no próprio metabolismo, mas é recomendado consultar um médico especializado ou nutricionista para dúvidas mais complexas.





