Ela não aparece nos mapas turísticos tradicionais, mas existe: a viagem de trem mais longa do planeta liga dois continentes, atravessa culturas opostas e exige quase um mês de estrada para ser completada.
O percurso começa no sul de Portugal e termina em Singapura, no Sudeste Asiático, somando cerca de 18.755 quilômetros e passando por 13 países ao longo de aproximadamente 21 dias.
Como funciona a maior rota ferroviária do mundo
Diferentemente de cruzeiros ou voos diretos, não há um único trem que faça todo o trajeto. A rota é formada pela combinação de serviços operados por empresas distintas, com trocas frequentes ao longo do caminho.
O viajante cruza Espanha, França, Alemanha, Polônia, Bielorrússia, Rússia, Mongólia, China, Laos, Tailândia e Malásia, até chegar a Singapura. Em alguns trechos, são necessários ônibus ou voos regionais por causa de interrupções temporárias.
As velocidades também mudam drasticamente. Na Europa, alguns trens ultrapassam 300 km/h; já na Ásia Central e no Sudeste Asiático, a média pode cair para cerca de 80 km/h. O caminho inclui trechos famosos, como a Transiberiana e a Transmongoliana, além da nova ligação entre China e Laos. Conflitos e sanções, como os ligados à guerra na Ucrânia, podem exigir desvios e ajustes de última hora.
O custo inicial parte de cerca de US$ 1.200, mas pode ultrapassar US$ 3.000 em cabines mais confortáveis, sem contar hospedagem, alimentação e documentação.
Para brasileiros, a parte mais complexa é a burocracia: países como Rússia e China exigem visto, e cada fronteira tem regras próprias. Passaporte válido, páginas em branco e planejamento minucioso são essenciais.
Não é uma viagem de improviso, mas uma maratona sobre trilhos que exige preparo financeiro e até mesmo físico para ficar tantos dias em um trem. Contudo, a experiência histórica pode valer a pena para viajantes e curiosos.





