Com o primeiro dia de provas marcado para domingo (9), os estudantes já não têm tempo de aprender novos assuntos, o foco agora é revisar os conteúdos que mais caem.
O primeiro fim de semana do exame será dedicado às áreas de Linguagens e Ciências Humanas, com questões de História, Geografia, Filosofia, Sociologia, Português, Língua Estrangeira e a temida Redação. A maratona de disciplinas faz com que muitos candidatos cheguem à prova exaustos e tomados pela ansiedade.
Mesmo os mais preparados sentem o peso da reta final. “O nervosismo é inevitável, mas revisar o que historicamente mais aparece é uma forma de reduzir a insegurança”, explicam professores do curso Portes Concursos, que conversaram com o Terra sobre os temas mais esperados deste ano.
Geografia
Para a disciplina de Geografia, os professores André e Vinícius Brettas destacam que o candidato deve equilibrar o estudo entre Geografia Física, Humana e Geopolítica, com atenção especial para Sustentabilidade e Meio Ambiente.
“Climas e biomas são temas clássicos. É importante compreender as zonas climáticas e suas relações com os biomas brasileiros e mundiais”, afirmam.
Outros tópicos recorrentes são relevo, solo e hidrografia brasileira. “As bacias hidrográficas e seus impactos socioeconômicos costumam aparecer em questões interdisciplinares”, completam.
Na Geografia Humana, o foco deve estar na População e Urbanização. O exame costuma abordar crescimento populacional, migrações, índices de desenvolvimento humano e desafios das cidades. “O Enem gosta de discutir problemas urbanos, como a formação de favelas e a mobilidade nas metrópoles”, dizem os professores.
O agronegócio também é uma aposta certa. “O papel do setor na economia e seus impactos sociais e ambientais são temas quase garantidos”, destacam. Já em Geopolítica, o exame pode trazer questões sobre globalização e disputas territoriais.
Por fim, Sustentabilidade e diversidade cultural seguem entre os favoritos do Enem. “Desmatamento, poluição e preservação dos recursos naturais aparecem com frequência. Além disso, o exame costuma relacionar esses temas à identidade cultural e aos movimentos sociais brasileiros”, concluem.
Português, Literatura e Redação
A prova de Linguagens exige mais do que memória: pede leitura crítica e análise. Segundo a professora Helena Olivetti, o segredo é compreender o que está nas entrelinhas.
“O candidato precisa desenvolver uma leitura atenta e analítica. O Enem aposta em textos longos e variados, e o desafio é extrair as informações essenciais sem se perder”, explica.
Entre os temas mais cobrados estão Variação Linguística, Gêneros Textuais e Funções da Linguagem. “É comum que as questões peçam a justificativa da função de linguagem em um texto ou a comparação entre diferentes gêneros”, lembra Helena.
Na parte de Literatura, o Modernismo segue como o período mais exigido. Já na Redação, a professora reforça que o candidato deve apostar na autenticidade e repertório sociocultural.
“O Enem valoriza a autoria e a originalidade. Mais do que tentar adivinhar o tema, o ideal é montar um esquema próprio de estrutura, com base nas competências exigidas e na prática pessoal”, orienta.
História
De acordo com o professor Renan Fontes, cerca de 70% da prova de História é voltada ao Brasil. Os temas mais recorrentes envolvem questões sociais, fundiárias e políticas, frequentemente conectadas ao contexto atual.
A revisão deve incluir Brasil Colônia, com ênfase na relação entre indígenas e colonizadores, posse da terra e escravidão. “O Enem sempre aborda o legado da escravidão e suas consequências nas desigualdades sociais contemporâneas”, ressalta Fontes.
Outros tópicos indispensáveis são o Brasil República e suas revoltas populares, como Canudos, Chibata e Contestado. “Esses movimentos são abordados pela ótica da luta por melhores condições de vida e direitos civis”, acrescenta.
Em História Geral, o exame costuma tratar de Grécia e Roma, Feudalismo, Imperialismo, Guerras Mundiais e Guerra Fria, explorando conceitos de cidadania, desigualdade e poder. “Mais do que decorar datas, o aluno precisa compreender as relações entre o passado e os desafios sociais do presente”, alerta o professor
Filosofia e Sociologia
Para quem vai revisar Filosofia e Sociologia, a dica é voltar às bases. Em Filosofia, os professores recomendam revisar os pensadores clássicos, Sócrates, Platão e Aristóteles, além da Patrística e Escolástica, representadas por Santo Agostinho e Tomás de Aquino.
A Filosofia Moderna também é presença quase certa, com foco nos contratualistas Hobbes, Locke e Rousseau, que discutem o papel do Estado e da liberdade individual.
Em Sociologia, os temas mais cobrados envolvem cultura, patrimônio e desigualdade. “Questões sobre bens culturais, regionalismo e valorização das tradições de grupos marginalizados são recorrentes”, afirma Fontes.
As teorias sociológicas de Karl Marx e Friedrich Engels continuam entre as mais exploradas. “O Enem gosta de relacionar luta de classes, alienação e materialismo histórico a temas contemporâneos, como desigualdade e cidadania”, destaca o professor.
Reta final: revisar com estratégia
Com poucos dias até o exame, especialistas reforçam que o momento não é de aprender algo novo, mas de revisar com inteligência. Mapas mentais, resumos e simulados ajudam a relembrar os pontos-chave sem sobrecarregar o cérebro.
A dica final é simples: mantenha a calma, confie no que já foi estudado e durma bem. Afinal, no domingo, o Enem vai cobrar não só o que o candidato sabe, mas também como ele interpreta o que lê.





