A tradicional camisa azul da seleção da Itália, conhecida mundialmente como Squadra Azzurra, não é apenas um elemento estético, carregando mais de um século de história. A cor, que não aparece na bandeira italiana, é uma homenagem direta à antiga Casa de Savóia, família real responsável por liderar o processo de unificação do país no século 19.
O azul Savóia, tom oficial da monarquia italiana, passou a compor o uniforme da seleção em 1911, quando o país ainda vivia sob regime monárquico. Com a criação da República, em 1946, a camisa permaneceu azul, mas o escudo foi modificado, saiu o brasão vermelho com cruz branca da família real e entrou o emblema nas cores nacionais: verde, branco e vermelho.
Outras cores já vestiram a Itália
Apesar do simbolismo histórico, o azul não foi a primeira cor utilizada. Nos dois primeiros jogos oficiais da seleção, o uniforme era branco. Não por tradição ou estratégia, mas por economia: era o tecido mais barato disponível à época.
Em 1937, durante o governo fascista de Benito Mussolini, a Itália chegou a jogar com um uniforme inteiramente preto, representando o movimento político dominante. A experiência durou pouco e foi abandonada após o fim da Segunda Guerra Mundial, com o retorno definitivo do azul em 1945.
Influência além das fronteiras
O prestígio da Azzurra e a força da comunidade italiana em diversos países ajudaram a espalhar esse símbolo. No Brasil, clubes como o Cruzeiro e o Palmeiras, que em seus primeiros anos também vestiu azul, refletem essa influência da colônia italiana.
A Itália não é a única seleção cujo uniforme foge das cores da bandeira. A Holanda, por exemplo, veste laranja em referência à Casa de Orange-Nassau, família real holandesa. Já o Japão adota o azul e o branco da federação local, e não o vermelho predominante na bandeira nacional.
Mais do que uma cor, o azul da Itália se consolidou como parte essencial da identidade esportiva do país.





