Justiça

Caso Guilherme Brandão: começa júri de acusado de premeditar crime para encobrir desvios

TNH1 com Rádio Pajuçara FM | 13/06/19 - 09h12 - Atualizado em 13/06/19 - 09h46
Primeira testemunha ouvida no julgamento | Assessoria Ministério Público do Estado

O júri do assassinato do empresário Guilherme Brandão, cometido em 2014 pelo funcionário dele, Marcelo Carnaúba, começou por volta das 8h30 desta quinta (13) no Fórum do Barro Duro. A previsão é que a sessão termine no final da noite.

De acordo com os autos, o réu trabalhava para a vítima na casa de shows Maikai no bairro Jatiúca, e é acusado de planejar o crime, para encobrir supostos desvios de dinheiro da empresa.

O promotor de justiça Leonardo Bastos sustenta a tese de homicídio com as qualificadoras de impossibilidade de defesa da vítima e com a intenção de ocultar outro crime.

"O réu efetuou disparo que atingiu a nuca da vítima. O crime foi cometido para ocultar as fraudes financeiras que ele estava cometendo na empresa da vítima", afirmou o promotor, que vai pedir ainda a condenação por fraude processual.

"O acusado alterou a cena do crime visando sustentar a tese de latrocínio, tese essa que ele não conseguiu manter, tendo posteriormente confessado o homicídio. O Ministério Público quer a condenação pelos dois crimes, o que pode dar de 25 a 30 anos de prisão", explicou o promotor.

Defesa

A tese será contestada pela defesa, que alega não ter havido premeditação. A intenção é reduzir a pena do réu. “Não houve meio que dificultou a defesa da vítima e o crime não foi premeditado. Foi cometido em uma pequena sala com uma única saída, nos fundos do Maikai. Ninguém armaria uma emboscada pra ficar trancado nela”, argumenta o advogado Raimundo Palmeira.

Ele afirma ainda que comprovou que não houve desvio de dinheiro por parte do réu, mas que o dinheiro foi transferido para Marcelo porque ele havia feito compras no próprio cartão de crédito para o a cada de shows.

O pai de Guilherme Brandão, Eutímio Brandão, que deve ser ouvido durante o julgamento, defende o contrário. Ele afirma que até a arma do crime foi adquirida com dinheiro da família vítima.

Brandão diz que Marcelo pediu, à época, um depósito de R$ 80 mil, para cobrir despesas da empresa, e com parte desse dinheiro teria adquirido a arma.

A primeira testemunha ouvida no julgamento, um fornecedor de gelo do Maikai, disse que recebia valores menores do que aqueles devidos pela empresa em razão da venda do produto.