Privação de sono modifica atividade cerebral e aumenta demanda de energia, aponta estudo

Publicado em 24/06/2026, às 19h46
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Por Galileu

Uma pesquisa recente publicada na revista PLOS Biology revela que a privação de sono por 28 horas aumenta os níveis da proteína SV2A no cérebro, indicando alterações significativas na química cerebral que podem impactar a saúde mental e física.

O estudo envolveu 40 participantes, com metade deles passando uma noite sem dormir, e utilizou tomografia por emissão de pósitrons para observar a atividade cerebral, mostrando que a falta de sono não apenas causa fadiga, mas também altera as conexões neurais.

Os pesquisadores destacam a necessidade de mais investigações para entender as consequências da privação de sono, embora já exista evidência de uma ligação biológica entre a necessidade de descanso e a saúde cerebral.

Resumo gerado por IA

Dormir é essencial para a sobrevivência, tanto é que a privação extrema de sono podem realmente levar uma pessoa à morte. Na verdade, apenas uma noite sem sono já é suficiente para alterar a química do seu cérebro. É o que afirma uma nova pesquisa que analisou marcadores de conexões de células cerebrais de pacientes que passaram mais de um dia sem dormir.

Publicado hoje na revista científica PLOS Biology, o estudo avaliou que um grupo privado de sono por 28 horas contínuas apresentou níveis mais elevados de SV2A – proteína auxiliadora na transmissão de neurotransmissores – em diversas regiões cerebrais.

Quando o cérebro deve descansar?

Pode até se pensar que mais conexões cerebrais indicam um funcionamento mais saudável da mente. Porém, isso não é verdade. O corpo humano precisa de tempo de repouso para obtermos uma reparação física adequada, e o cérebro não escapa dessa lógica. Quando passamos muito tempo acordados, não permitimos que haja uma restauração dos níveis de conexões sinápticas, fazendo com que mais energia seja demandada para mantê-las funcionando.

“Acredita-se que o sono redefina esses níveis, reduzindo as conexões sinápticas e restaurando a homeostase (equilíbrio interno do corpo), mas as evidências até agora se limitavam a modelos animais”, destaca comunicado do estudo.

Os pesquisadores se propuseram a analisar a atividade cerebral de 40 participantes, com metade deles passando uma noite sem dormir. Eles utilizaram a técnica de tomografia por emissão de pósitrons (PET), que consiste na produção de imagens do corpo de alta qualidade para indicar as regiões com maior atividade metabólica no corpo.

Sobre os índices de SV2A (glicoproteína 2A da vesícula sináptica), foi observado que pessoas em privação de sono tinham eles mais elevados em comparação aos outros indivíduos.

“Quando os participantes privados de sono tiveram permissão para um cochilo de duas horas, os níveis mais altos de SV2A foram associados a uma maior atividade de ondas lentas durante o sono, um indicador de sono profundo e pressão do sono (...) Isso sugere que a privação de sono não apenas causa fadiga, mas também é acompanhada por alterações mensuráveis ​​nas conexões neurais”, dizem os pesquisadores no comunicado.

Ciência do sono

Os indicadores de SV2A são apenas alguns de diversos fatores envolvidos num funcionamento cerebral saudável, de modo que mais estudos para entender quais as consequências de privação de sono para o cérebro são necessários.

Porém, o estudo já oferece evidências de que existe uma conexão biológica entre a necessidade de sono e o acúmulo de conexões celulares. Já se sabe que descansar a mente é essencial para uma boa qualidade de vida, mas as explicações científicas disso ainda estão por ser desvendadas.

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