Seis ondas intensas de calor devem atingir o Brasil nos próximos meses, segundo análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O Super El Niño, fenômeno oceânico em desenvolvimento, é responsável pela expectativa de temperaturas elevadas que se distribuirão por todo o país, marcando regiões tanto com secas quanto com chuvas intensas.
A projeção resulta de uma avaliação de 47 anos de registros de temperatura em períodos influenciados pelo El Niño.
De acordo com pesquisadora do Cemaden, a frequência de dias extremamente quentes pode ultrapassar as médias históricas devido à intensidade do atual Super El Niño, que se encaminha para estar entre os mais fortes já documentados.
Brasileiros precisam estar preparados para seis ondas de calor por causa do super El Niño
Uma onda de calor não é apenas um dia quente isolado.
O fenômeno se define pela persistência: no mínimo três dias consecutivos em que as máximas e mínimas permanecem excepcionalmente pelo menos 5Cº acima da média, sem alívio para a população.
O cenário atual aponta para um padrão onde calor extremo, seca e chuvas intensas convivem, mas com o calor como elemento dominante de norte a sul do território.
Os registros do Cemaden revelam duas transformações preocupantes: as ondas de calor tornaram-se mais frequentes e cobrem extensões territoriais muito maiores.
Nas décadas de 1980 e 1990, esses episódios eram raros e concentrados no Nordeste.
A partir de 2010, e acentuadamente após 2020, a situação mudou: agora as ondas de calor atingem simultaneamente regiões como Sudeste e Sul, eliminando pontos de refúgio contra as altas temperaturas.
O período entre 2023 e 2024 marcou o pico da série histórica de registros: nove ondas de calor entre agosto e dezembro, superando mais que o dobro da média nacional de quatro registros.
Uma das ondas mais intensas ocorreu em São Paulo em setembro de 2023, quando as temperaturas ultrapassaram 40°C na capital paulista.
Os impactos extrapolam o termômetro, e a agricultura enfrenta secas severas no Norte e Nordeste e chuvas excessivas em outras áreas, reduzindo plantações e produtividade no campo.
Essa quebra de safra eleva o custo de alimentos e pressiona a inflação brasileira, afetando até as projeções de salário mínimo realizadas pelo governo.
No setor energético, a redução de chuvas compromete os reservatórios das hidrelétricas, forçando aumentos de tarifa de energia.
A saúde pública também sofre: o calor extremo agrava doenças respiratórias, cardiovasculares e favorece surtos de dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos.
Riscos à população e demandas de governo
Idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com condições crônicas enfrentam maior vulnerabilidade ao calor extremo.
A Confederação Nacional de Municípios alertou que municípios carecem de estrutura para lidar com as consequências: falta de água, energia cara e sistemas de saúde sobrecarregados.
Governos estaduais e federal acumulam déficits orçamentários que dificultam investimentos em adaptação climática e resposta a desastres.
O Ministério da Fazenda enfrenta o desafio de equilibrar as pressões inflacionárias provocadas pelo El Niño com a sustentabilidade fiscal do país.
A convergência de fatores, como economia, saúde pública, energia e logística, transforma o fenômeno em uma questão de risco macroeconômico que vai além do ambiental e exige preparação Urgente das autoridades e da população.





