Um novo tipo de diabetes, classificado como diabetes tipo 5 e reconhecida pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) em 2025, começa a ser rastreada no Brasil. A iniciativa acontece também devido a semelhança da doença com os tipos 1 e 2, podendo, assim, não ser dado o tratamento adequado as pessoas que estão com a nova enfermidade.
De acordo com informações do jornal O Globo, o Brasil começará a rastrear essa condição, inicialmente com atenção voltada para as regiões Norte e Nordeste.
Por que o diabetes tipo 5 pode ser confundido?
A dificuldade começa pelas características do paciente. Pessoas com diabetes tipo 5 geralmente desenvolvem a doença antes dos 30 anos e apresentam baixo índice de massa corporal (IMC), frequentemente inferior a 18,5 kg/m². Além disso, existe histórico de desnutrição durante fases importantes do desenvolvimento.
Esse conjunto pode levar à suspeita de diabetes tipo 1, que também costuma surgir em pessoas jovens. A diferença está no mecanismo responsável pela doença. No tipo 1, o sistema imunológico destrói as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Já no tipo 5, a deficiência do hormônio está relacionada principalmente ao impacto da desnutrição sobre o desenvolvimento e a capacidade funcional do pâncreas.
A situação também é diferente do diabetes tipo 2. Nesse caso, o organismo normalmente desenvolve resistência à ação da insulina, fazendo com que o pâncreas precise produzir quantidades maiores do hormônio para controlar a glicose. No tipo 5, apesar da produção reduzida de insulina, o organismo permanece relativamente sensível ao hormônio.
É justamente essa combinação que pode ajudar o médico a levantar a suspeita: paciente jovem, muito magro, com histórico de desnutrição e hiperglicemia, mas sem as características metabólicas esperadas para os tipos 1 ou 2.
O que causa o diabetes tipo 5?
O diabetes tipo 5 está associado à deficiência nutricional durante períodos importantes do desenvolvimento do organismo, principalmente na infância e adolescência. A hipótese é que a falta prolongada de nutrientes prejudique o desenvolvimento do pâncreas e reduza a quantidade ou a capacidade das células responsáveis pela produção de insulina.
O resultado aparece anos depois: a pessoa consegue produzir o hormônio, mas em quantidade insuficiente para manter a glicose dentro dos níveis adequados.
A doença, portanto, não surge simplesmente porque uma pessoa está magra no momento do diagnóstico. O histórico nutricional também é importante para compreender o mecanismo. Estudos recentes descrevem o diabetes tipo 5 como uma forma de deficiência grave de insulina associada à desnutrição crônica durante fases de desenvolvimento.
Como será feito o rastreamento no Brasil?
Conforme destacado pela Folha de S. Paulo, o projeto brasileiro pretende justamente identificar esses casos que podem estar escondidos dentro das classificações tradicionais. A estratégia será construída a partir de estudos realizados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A iniciativa reúne a IDF, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As primeiras ações serão direcionadas ao Norte e ao Nordeste, regiões escolhidas pela maior presença de insegurança alimentar e histórico de desnutrição.
O objetivo não é apenas descobrir quantas pessoas possuem a condição. A coleta de informações também deve ajudar os pesquisadores a entender melhor o perfil dos pacientes brasileiros e contribuir para a construção de critérios de diagnóstico e tratamento adequados à população do país.
Isso é importante porque, atualmente, não existe uma estimativa consolidada da quantidade de brasileiros com diabetes tipo 5. A suspeita entre especialistas é que parte desses pacientes possa estar registrada como portadora de diabetes tipo 1 devido à idade jovem e ao baixo peso.





