Dormir cercado de natureza sem trocar o colchão confortável por um saco de dormir: essa é a proposta por trás do glamping, modalidade de hospedagem que já movimenta US$ 4,2 bilhões no mundo em 2026, cerca de R$ 21,6 bilhões, com crescimento de 10,5% frente ao ano anterior, segundo a consultoria Grand View Research.
Apesar do nome, que junta “glam” com “camping”, o conceito não gira em torno de luxo ostentoso. Júlio Araújo Carneiro da Cunha, professor de Turismo da USP e da ESPM, resume o atrativo como uma atualização do acampamento tradicional para quem não abre mão de um mínimo de comodidade.
Já Melissa Fernandes, da agência de viagens Teresa Perez, aponta o verdadeiro diferencial da modalidade: a sensação de estar imerso na natureza sem perder o conforto que o hóspede de alto padrão já espera de um hotel comum. No Brasil, o setor somou US$ 68 milhões em 2025, cerca de R$ 352,3 milhões, com projeção de triplicar até 2034.
Cada glamping aposta numa forma diferente de se conectar ao lugar
Os exemplos ajudam a entender por que a modalidade se popularizou. No Cerrado goiano, o Hidden Treasure, na Chapada dos Veadeiros, ergue seus domos sobre passarelas suspensas de madeira, evitando que os hóspedes sequer pisem no solo nativo.
No Rio Grande do Sul, o Hotel Parador combina churrasco campeiro e observação de estrelas guiada por astrônomo entre suas cerca de 20 acomodações, inspiradas em lodges africanos.
No Chile, o recém-inaugurado Unai Atacama Luxury Tents entrega vista para o vulcão Licancabur direto da banheira privativa de cada tenda.
No topo da escala de exclusividade está o White Desert, na Antártida, dividido em três acampamentos temáticos, entre eles o Echo Base, com estética inspirada em bases espaciais. Chegar até lá exige um voo privado de 5h30 partindo da Cidade do Cabo, e uma semana de expedição custa a partir de US$ 45 mil, cerca de R$ 233 mil.
Diferença para um hotel de natureza está na experiência, não na estrutura
Para Cunha, a linha que separa o glamping de um hotel de natureza convencional não está no nível de conforto oferecido, mas na experiência emocional de imersão que a hospedagem proporciona, algo que depende tanto do entorno quanto da forma como cada propriedade constrói a relação do hóspede com o lugar.





