Polícia

"Eu não fui para matar, queria dar um susto", diz assassino confesso de Joyce

João Victor Souza com TV Pajuçara | 09/03/20 - 07h59 - Atualizado em 09/03/20 - 08h23
Cortesia

Lucas Moleda, assassino confesso da adolescente Joyce Narielle Cândido da Silva Santana, concedeu entrevista exclusiva à TV Pajuçara, na noite do último sábado, 07, na sede da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), horas depois de ter sido preso pela polícia no Conjunto Eustáquio Gomes, quando se preparava para fugir para outro estado.

O jovem estava foragido há mais de dez dias e foi capturado dentro da casa de um amigo. Segundo a polícia, ele estava escondido no imóvel, próximo a um terminal de ônibus, e se organizava para ir para o Mato Grosso, onde mora a mãe biológica.

Lucas contou à reportagem que se sentiu ameaçado por Joyce e informou que teria ido armado ao encontro dela, no dia do crime, para conversar e dar um "susto". “Eu não fui para matar, queria conversar e dar um susto. Mas quando cheguei na hora, com a boca cortada, ela disse que isso não era nada perto do que ia fazer comigo. Me ameaçando cada vez mais. Aí foram esses os motivos", disse.

Assista à entrevista que foi ao ar no programa Balanço Geral Alagoas:

O jovem voltou a destacar que matou por vingança, já que havia sido agredido supostamente a mando dela um dia antes. “Ela tentou me matar. Eu estava na casa da minha namorada, era perto da casa dela, aí ela foi com três malas para lá. Ela pediu para eu descer, eu disse que não ia, ela começou a chutar minha moto, depois disse que ia tacar fogo. Aí eu desci”, explicou o jovem.

“Tinham três caras me esperando. Eles foram para cima de mim, quando tentei correr um acertou minha boca e tentou me segurar. Ainda peguei cinco pontos no HGE. Mas consegui correr e entrar pelos becos, aí não conseguiram me pegar”, continuou sem assumir que havia agredido Joyce com um soco no mesmo dia, como testemunhas informaram.

Lucas revelou que nunca teve um compromisso sério com a adolescente que, de acordo com ele, era uma ficante. Ele também negou ter assassinado a jovem por não aceitar o término do namoro. “Eu nunca quis assumir ela, era só para ficar. Quando ela soube que eu tava com a ex-amiga dela, ela criou essa revolta”, destacou.

Por fim, o jovem disse estar arrependido do crime e que está com a vida destruída. “Arrependimento né? Destruiu minha família. Destruiu minha vida, um cara novo, infelizmente”, limitou-se.

Câmera registra crime

Uma câmera de videomonitoramento flagrou o momento em que a adolescente de 16 anos foi morta com um tiro disparado pelo rapazO crime aconteceu na Rua Otacílio Holanda, no Village Campestre II, na tarde da terça-feira de Carnaval, dia 25. O vídeo mostra cenas muito fortes.

As imagens mostram que o assassino chega pilotando a moto em frente a um condomínio às 15h53. A vítima e a amiga dela dividem a garupa do veículo. Instantes após descer da moto, a amiga de Joyce entra no residencial e deixa os dois a sós.

O jovem, que estava sem camisa e com capacete, pega a vítima pelo pescoço com uma arma de fogo na outra mão às 15h55. Logo depois, ele derruba a adolescente no chão e atira, aparentemente na cabeça dela. 

Após o crime, o assassino sobe na moto e foge. A amiga de Joyce se aproxima dela caída e percebe que ela foi baleada. Ela procura ajuda dentro do condomínio. Nas imagens não foi possível observar a chegada de mais pessoas na cena do crime.

A arma utilizada no assassinato foi apreendida dentro da casa de Lucas Moleda. O revólver pertence ao padrasto do suspeito e foi entregue ao Instituto de Criminalística (IC), para passar por perícia. O padrasto é policial militar e colaborou com as investigações, além de ter informado que não forneceu a arma ao suspeito. 

Buscas por Lucas Moleda

Um dos primeiros locais onde os policiais fizeram buscas por Lucas Moleda foi a Grota do Rafael, no bairro de Jacintinho.  A polícia esteve à procura do jovem na região após receber a informação de que ele havia ido para a casa de um parente no mesmo dia do crime. Outros pontos também foram observados, mas não revelados pela polícia.

Lucas havia relatado, em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, um dia depois do assassinato, que iria se entregar, porém segundo ele, esperava a "poeira baixar".

Ele negou ter tido um relacionamento amoroso com a Joyce. Porém um vídeo gravado por um amigo dele, dentro de um veículo, deixa em dúvida a sua versão. A filmagem mostra que Lucas estava no banco do passageiro e pega uma garrafa de vidro para passar uma imagem de que bebia e sofria ao escutar uma música romântica.

Antes disso, ele havia colocado a mão na cabeça por ter ouvido o nome da adolescente gritado por outro ocupante do carro: "Pensando na Joyce". Em outro momento, o mesmo colega chama a vítima de covarde por aparentemente fazer Lucas sofrer.